Esperar é torturante. Acorda-se angustiado. Dorme-se de cansaço. Entre uma coisa e outra, sofre-se por antecipação. Eu espero algo. Sou um homem paciente, mas a espera me tortura. Cada minuto pode ser o minuto que marca o fim da espera. Mas não tenho tido sorte.
O que aguardo pode chegar por qualquer meio. Carta, mensagem eletrônica, um bipe no celular, um pacote esquecido no tapete da porta, uma visita surpresa, um cartão. Observo a tudo ansioso, tenso. Será que hoje a espera se acaba?
O carteiro chega e meu coração bate descompassadamente. Há um pacote em suas mãos. Será que é para mim? Recebo apenas contas e uma carta de uma empresa de telefonia me ofertando um celular novo. Decepção.
O email acusa uma nova mensagem. Corro abrir e vejo que se trata de um boletim de notícias que assinei. Nervoso, cancelo a assinatura. Dois dias depois, volto a assiná-lo. No fundo, quero receber essas mensagens inúteis pois nutrem a esperança de que a espera tem fim.
O celular toca e é alguém da família querendo saber de mim. Estou bem, minto. Ninguém precisa saber que sofro porque espero. Converso rápido para não ocupar o telefone por muito tempo. Alguém pode ligar.
Outro dia, ao conversar com alguém pouco importante no telefone, ouvi o toque da segunda linha ao fundo. Meu interlocutor demorou para me deixar desligar. Quando finalmente consegui, a segunda linha ficou muda, não consegui atender. Será que naquele momento minha espera ia acabar?
As vezes relaxo, esqueço que estou nessa angústia. Deixo de olhar o telefone a cada cinco minutos. Não importuno o porteiro com perguntas sobre a correspondência. Esqueço de ligar o computador e aguardar minha mensagem.
Mas esses momentos de descanso duram pouco. Logo algo me lembra que tenho que estar atento.
Fico com raiva. Acho injusto o que estou passando. Em pensamento, grito com os responsáveis por essa tortura. Juro que vou deixar de lado essa insanidade. Esquecer de esperar.
Mas, no fim, volto a olhar ansioso o telefone, a correspondência. Será que um dia isso vai acabar?
sábado, 22 de setembro de 2007
Waiting
Postado por Rosiane às 06:49 0 comentários
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