segunda-feira, 9 de julho de 2007

O homem do apito

Ele fica sentado ao lado da porta de entrada do banco e toca um apito. Entoa melodias as vezes reconhecíveis, as vezes desconhecidas. Passa a tarde assim. Talvez ganhe algum trocado de quem passa. É sujo, maltrapilho. Pobre.

O apito tem um timbre irritante. Para quem está distraído nos escritórios dos prédios vizinhos, o som se mistura aos outros barulhos que vem da rua. Mas, vez ou outra, ele se sobressaí e encontra o caminho até uma platéia cativa. Cativa porque não tem para onde ir.

O som tem o poder de deixar os nervos de quem ouve em frangalhos. É como se martelassem os ouvidos, várias vezes. Repetidas vezes.

As vezes o homem do apito desaparece. Vai importunar outros prédios. Se você der azar, pode topar com ele na porta de um banco, tocando o apito. Se for o caso, tape os ouvidos e saia correndo.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Ai ai ai

Acabei de me tocar que o nome do blog é o mesmo daquela revista horrorosa.... ih...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Luciana e os búfalos

Dizia Luciana que seus avós criavam búfalos. Eram bichos enormes, com mais de dez metros, e viviam na fazenda da família em Paranaguá. Luciana vivia falando dos animais. Gostava de contar como eles eram grandes. E que eram muitos.

Para Luciana, visitar os avós e os búfalos era fácil. Havia uma passagem secreta no banheiro de sua casa aqui em Curitiba. Ela abria a porta do esconderijo e pronto: estava em Paranaguá com seus búfalos.

Búfalos são criaturas grandes, como bois super crescidos e muito mais mal-encarados. No entanto, Luciana adorava-os. Vivia brincando com eles. Passava as tardes assim. E quando sua mãe chamava, ela corria para a passagem secreta e voltava para Curitiba.