segunda-feira, 9 de julho de 2007

O homem do apito

Ele fica sentado ao lado da porta de entrada do banco e toca um apito. Entoa melodias as vezes reconhecíveis, as vezes desconhecidas. Passa a tarde assim. Talvez ganhe algum trocado de quem passa. É sujo, maltrapilho. Pobre.

O apito tem um timbre irritante. Para quem está distraído nos escritórios dos prédios vizinhos, o som se mistura aos outros barulhos que vem da rua. Mas, vez ou outra, ele se sobressaí e encontra o caminho até uma platéia cativa. Cativa porque não tem para onde ir.

O som tem o poder de deixar os nervos de quem ouve em frangalhos. É como se martelassem os ouvidos, várias vezes. Repetidas vezes.

As vezes o homem do apito desaparece. Vai importunar outros prédios. Se você der azar, pode topar com ele na porta de um banco, tocando o apito. Se for o caso, tape os ouvidos e saia correndo.

Nenhum comentário: