quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O envelope marrom


Um envelope marrom. Grande. Era isso que todo mundo segurava na mão. Estavam todos na fila, esperando.


E eu também. Mas eu não tinha um envelope marrom. Será que esqueci de alguma coisa?


Olho para um lado, olho para outro e todo mundo tem um envelope marrom. E eu não. Tenho apenas um monte de papel. Cópias de documentos, declarações. Mas nada de envelope marrom.


Não, eu não preciso de um envelope marrom, digo baixinho. Lembro claramente de ter visto repetidas vezes a lista de documentos necessários e nenhum envelope marrom era citado.


Mas por que todo esse povo resolveu trazer um então? Será que é parte do protocolo e eu não sabia? Talvez trazer um envelope marrom seja uma daquelas coisas que ficam subentendidas. Será que eu não entendi?


Vou imaginando que, quando chegar a minha vez de ser atendida, a moça do balcão vai me dizer:

- Mas você não trouxe o envelope marrom?


Vou suando frio, nervosa. Por que, diabos, não lembrei do envelope marrom? Porque era tão óbvio que, mesmo não constando na lista de documentos necessários, o envelope marrom era obrigatório. Só eu não percebi isso.


Penso um pouquinho mais e me acalmo: um envelope marrom não é um documento. Mas todo mundo que chega no balcão deixa o envelope lá.


Ah, meus Deus. Que vou fazer sem o envelope marrom? Vou perder a matrícula. Vou perder a vaga. Seis meses de cursinho, três provas, um escore alto e isso: vou perder a vaga na faculdade porque não tenho um envelope marrom!


Maldito envelope marrom.


Será que alguém na fila tem um envelope marrom sobrando?


Será que tem que ser marrom? Ou branco também vale?


Oh, Deus, que me apareça um alma caridosa, alguém que me conheça e que, por acaso, tenha um envelope marrom sobrando.


Bom, não me resta mais nada além de esperar a hora da moça do balcão me chamar. Não terei o envelope marrom e ela vai me mandar embora sem matrícula, sem vaga e sem envelope.


Ok. Só me resta esperar...


A moça do balcão me chama, pega meus documentos, confere tudo, carimba algumas coisas, me dá parabéns e me manda embora. Não precisei do envelope marrom. Graças a Deus.

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